Impacto das chuvas no RS sobre o mercado de arroz no Brasil

Análise do impacto das fortes chuvas no Rio Grande do Sul sobre a produção e o mercado de arroz no Brasil. Apesar dos danos, não há risco de desabastecimento no país. Entenda os fatores que influenciam os preços e a disponibilidade do cereal.
impacto das chuvas no rs sobre o mercado de arroz

A Cerealista Milani lamenta profundamente a tragédia que assola o Rio Grande do Sul, afetando parceiros nossos de décadas, entre produtores rurais, corretores de cereais e caminhoneiros.

O estado é responsável por 70% do arroz produzido no país, além produzir de parte significativa de outros cereais, leite e carnes. Desse modo, se por um lado os brasileiros não têm medido esforços para ajudar o Rio Grande do Sul, por outro lado se preocupam com a possibilidade de escassez desses alimentos.

Ainda não há dados precisos sobre a produção de arroz deste ano e o que de fato foi perdido por conta das chuvas. Também por questões climáticas, a última safra foi plantada com atraso, sobretudo na região central do estado. Infelizmente foi essa mesma região a mais atingida, afetando a maior parte do arroz que ainda estava por colher.

A parcela que já fora colhida do arroz no estado era de 80%, o que é uma quantidade significativa. Mas há notícia de silos de arroz alagados, resultando em perda de parte da produção já colhida. Portanto, já é possível dizer que há, de fato, um forte impacto no mercado do cereal.

Todavia, há uma grande distância entre o impacto ainda a ser mensurado e dizer que faltará arroz na mesa do brasileiro. Nos últimos anos, o Brasil se posicionou entre os dez maiores exportadores de arroz do mundo, o único fora da Ásia. Tal posição é resultado de um esforço da cadeia produtiva para escoar o excedente do produto que manteve os preços em baixas históricas na década passada.

Sendo assim, o mercado externo age como principal regulador de oferta e demanda do arroz no Brasil. Exportamos e importamos muito arroz, de modo que a tendência é de que, com os preços internos num patamar maior, menos arroz saia do país.

O preço deve subir muito? Embora ainda não tenha chegado completamente ao consumidor, os preços do arroz sofreram uma retomada depois das chuvas no Sul e atingiram os patamares dos últimos meses do ano passado. Mesmo em abril, o preço do arroz no Brasil já era considerado caro no mercado internacional, reduzindo bastante as exportações. Também há disponibilidade de arroz de qualidade e com preço viável na Argentina, Uruguai e Paraguai.

Só esses fatores já nos permitiriam afirmar que o arroz não deve passar dos patamares de dezembro de 2023. Não obstante, grandes indústrias brasileiras já encomendaram o equivalente à carga de dois navios de arroz da Tailândia, a fim de suprir marcas mais baratas.

Ainda com objetivo de baixar custos, o Governo Federal, através da Companhia Nacional de Abastecimento anunciou o leilão de compra de 200 mil toneladas de arroz, podendo se estender até 1 milhão de toneladas. O modelo de intervenção ainda é novo, com o arroz sendo entregue em pacotes com o rótulo da CONAB a pequenos supermercados, de maneira que não se sabe como influenciará no mercado. O que se pode afirmar com certeza é que é, de alguma maneira, haverá uma pressão pela baixa de preços nas marcas mais baratas.

Todavia, as rodovias gaúchas ainda se encontram danificadas em vários pontos e há problemas pontuais de fornecimento de energia e até de geração de notas fiscais. Todos esses fenômenos atrasam a vinda do arroz para a região sudeste. Aliados a uma corrida aos supermercados e dos próprios supermercados para formar estoques, há situações de desabastecimento pontuais em nossa região.

Em suma, o que se pode afirmar é que não há risco de faltar arroz ao consumidor no Brasil. 2024 deve continuar sendo um ano de arroz mais caro, mas o impacto desse produto na cesta básica é pouco expressivo. Em dados do IBGE de 2020, as famílias brasileiras gastavam apenas R$12,79 com arroz, ao passo que o gasto com pão francês era R$18,63, verduras R$16,07 e carnes R$89,48. Assim, a preocupação que resta aos brasileiros é apenas a de ajudar nossos irmãos gaúchos a superar essa tremenda adversidade.

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